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Encontros e desencontros

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Título: Encontros e desencontros

Ano: 2025

Dimensões: 58cm (L) x 89cm (A)

Formato: Vertical

Técnica: Óleo sobre tela

Obra única, assinada pelo Autor

Encontros e desencontros”, pintura a óleo sobre tela do mestre Azymir, é uma obra que encerra uma profunda reflexão sobre a condição humana no espaço urbano contemporâneo. Nesta composição, o artista apresenta figuras que se cruzam no mesmo plano, partilhando o mesmo espaço físico, mas permanecendo emocionalmente distantes — corpos próximos, consciências apartadas.

A cena, construída com maestria técnica e densidade simbólica, revela um conjunto de personagens em movimento: caminham, passam, cruzam-se. Contudo, nenhum olhar encontra outro olhar. Cada figura parece encerrada no mutismo do seu próprio universo interior, como se o ruído invisível dos pensamentos soasse mais alto do que qualquer possibilidade de diálogo. A indiferença afirma-se, aqui, como protagonista silenciosa.

Azymir estrutura a composição através de um único plano que sugere uma rua, corredor ou espaço de passagem. As figuras surgem alongadas, quase estilizadas, reforçando a ideia de transitoriedade. A pincelada, firme mas expressiva, alterna entre zonas de maior densidade cromática e áreas mais rarefeitas, criando tensão e profundidade.

A paleta cromática, marcada por contrastes subtis entre tons quentes e frios, traduz simultaneamente proximidade física e distância emocional. Há calor na matéria pictórica, mas frieza nos gestos; há movimento, mas ausência de encontro verdadeiro. O artista transforma o quotidiano num cenário simbólico onde a solidão colectiva se revela com delicadeza e força.

Encontros e desencontros” não é apenas uma representação de pessoas que se cruzam, passando umas pelas outras. É um comentário sensível sobre o tempo presente — sobre a pressa, o isolamento e a fragmentação das relações humanas. Azymir convida o observador a reconhecer-se na cena, a questionar a própria postura perante o outro, e a reflectir sobre quantos encontros se perdem nos desencontros que emergem da indiferença do dia-a-dia.

Com esta obra, o mestre afirma a sua maturidade artística: transforma o banal em reflexão poética, o instante fugaz em metáfora duradoura. Aqui, cada figura é um espelho possível — e cada cruzamento, uma oportunidade não vivida.

O artista

Azymir, voz serena e luminosa da pintura moçambicana contemporânea, é um daqueles raros artistas plásticos cuja obra não se impõe pela extravagância, mas sim pela força tranquila de quem observa o mundo com atenção e o devolve na forma de poesia visual. Nascido na tribo Ronga em 1962 no Sul do Moçambique colonial, Azimir Chiluquete — que adoptou o nome artístico Azymir — desde cedo revelou a sua paixão pela pintura, e, enquanto discípulo do saudoso mestre Malangatana, construiu um percurso artístico sólido e profundamente singular, que, sem sombra de dúvidas, o remete para o plano dos criadores moçambicanos mais reconhecidos e respeitados de sempre.

Mestre nas técnicas de óleo e acrílico sobre tela, Azymir não procura apenas pintar: procura interpretar. O seu traço é contido mas seguro, sempre guiado por uma sensibilidade que ultrapassa a mera representação literal. Cada pintura é uma história contada em silêncio — um silêncio denso, cheio de significado, quase sempre ancorado na essência da vida da sociedade moçambicana.

Artista que vê para lá do visível, o olhar de Azymir capta nuances que muitos deixariam escapar. Interessam-lhe os pequenos rituais do quotidiano, como o trabalho na machamba, uma conversa interrompida pelo pôr do sol, o descanso depois da partilha, a cumplicidade familiar, os vínculos invisíveis que sustentam comunidades inteiras. São instantes aparentemente simples, mas que, nas suas mãos, ganham profundidade simbólica. Azymir parece recordar-nos que a verdadeira grandeza da vida reside nos gestos humildes, nos vínculos silenciosos, na dignidade que preenche os dias comuns.

Senhor de uma técnica, sensibilidade e harmonia raras, a execução pictórica de Azymir revela um domínio notável dos materiais e uma maturidade compositiva invulgar. O seu traço é disciplinado, firme, e conduz a narrativa visual com precisão, ao mesmo tempo que abre espaço para a emoção respirar. Nada nas suas obras é redundante. As figuras têm peso, presença e interioridade. O ambiente parece sempre pulsar uma energia discreta, quase espiritual. As composições são equilibradas, meditativas, construídas para que o espectador permaneça — para que observe com calma, como se estivesse perante um diálogo íntimo entre a tela e o tempo.

O mérito maior de Azymir é a sua capacidade de colocar a pessoa no centro da obra. Não idealiza, não romantiza, não dramatiza. Apenas revela — e essa revelação tem uma força particular. Nas suas telas há respeito, empatia e verdade. Há a consciência da luta, mas também da esperança. Há o peso do passado, mas também a leveza de um futuro possível. Há a memória do país e a visão de um artista que se sabe parte dele.

O percurso de Azymir — legado vivo já marcado pela maturidade — está em permanente evolução, demonstrando a sua obra a solidez de quem encontrou o seu caminho. Cada nova obra acrescenta mais uma camada a este universo estético coerente e profundamente humano, e é esta consistência — aliada à delicadeza do olhar e à honestidade do estilo — aquilo que faz de Azymir uma referência notável na pintura contemporânea.

Azymir é, acima de tudo, um artista que nos ensina a olhar, a perceber o que existe para lá da superfície, e a encontrar beleza na profundidade, significado e verdade onde, as mais das vezes, ninguém pensa procurar.

As suas obras não são meramente para ver, são, essencialmente, para sentir...

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