Mulher agachada com cântaros
Título: Mulher agachada com cântaros
Ano: 2024
Técnica: Escultura em madeira
Dimensões: 31cm (A)
Peso: 1,250 Kg
Material: Pau Rosa [Berchemia zeyheri]
A escultura “Mulher agachada com cântaros”, da autoria do mestre Nelson, é uma obra que traduz, com notável sensibilidade, a dignidade do quotidiano feminino nas comunidades moçambicanas.
Executada em Pau Rosa (Berchemia zeyheri), madeira de tonalidade rosadae subtis variações cromáticas, a peça mede 31 cm de altura e pesa 1,250 kg. A escolha desta madeira nobre não é inocente: o seu grão fino e a sua resistência permitem um entalhe rigoroso, preservando simultaneamente a suavidade das formas e a delicadeza dos pormenores.
A figura apresenta-se agachada, em equilíbrio estável, sustentando os cântaros — símbolos ancestrais de provisão, cuidado e responsabilidade. O gesto revela esforço contido, mas também serenidade. Nelson capta esse instante com maestria, modelando o corpo de forma harmoniosa, respeitando as proporções e valorizando a expressividade silenciosa da postura.
Os cântaros, cuidadosamente esculpidos, reforçam a narrativa visual da obra, evocando a ligação profunda entre a mulher e a água — fonte de vida e elemento central nas rotinas comunitárias. A composição compacta cria um diálogo entre verticalidade e recolhimento, conferindo à peça estabilidade formal e força simbólica.
O acabamento manual evidencia o brilho natural do Pau Rosa, permitindo que os veios acompanhem o desenho das curvas do corpo e dos recipientes, integrando matéria e significado numa unidade orgânica.
“Mulher agachada com cântaros” é, pois, muito mais do que uma representação figurativa: é uma homenagem à mulher africana, à sua resiliência silenciosa e ao papel estruturante que desempenha na vida familiar e social, reafirmando a profunda humanidade que caracteriza a obra do mestre Nelson.

O Artista
Nelson Malho, que usa o nome artístico "Nelson", é considerado um dos maiores escultores moçambicanos da actualidade, e, se nos é permitido opinar, ao nível do grande mestre Alberto Chissano. Originário de Xai Xai, a cidade capital da província de Gaza, Nelson destaca-se pela sua obra executada com madeiras exóticas, como o Pau Preto (Dalbergia melanoxylon) e o Sândalo (Spirostachys africana), materiais preciosos que, para além da criatividade, requerem uma técnica e competências excepcionais. Apesar do seu extraordinário talento e criatividade, Nelson mantém-se uma pessoa humilde, aparentemente sem noção real do imenso valor artístico das suas obras, que se afirmam como verdadeiras jóias da escultura contemporânea de Moçambique.
As suas criações dividem-se em duas vertentes distintas, ambas repletas de simbolismo e beleza. Na primeira vertente, a "quase realista", Nelson centra-se na representação detalhada de figuras humanas, em particular de belas mulheres africanas. As suas esculturas captam a elegância e a força feminina, representando bustos com feições graciosas e figuras de mulheres em diversos contextos da vida quotidiana, retratando-as em momentos de ternura com os seus companheiros, em posturas românticas, em estado de gravidez avançada ou com os filhos bebés nos braços. Estas obras expressam a intimidade e a profundidade das relações humanas, envoltas num realismo cativante.
A segunda vertente, de carácter modernista, revela uma abordagem conceptual e algo abstracta. As figuras, masculinas ou femininas, apresentam-se com o rosto completamente liso e sem as estruturas anatómicas que caracterizam a face humana. Ao prescindir dos traços morfológicos naturais, Nelson parece querer transmitir uma visão universal do ser humano, transcendendo fronteiras étnicas e raciais. Este estilo singular pode ser observado em peças como a "Sagrada Família", uma edição limitada a dez exemplares em cada uma das duas espécies com que trabalha - pau preto e sândalo - em que São José e Nossa Senhora com o Menino Jesus nos braços são representados através de uma composição serena e espiritual. As características estéticas e conceptuais deste tipo de obras, normalmente edições limitadas, numeradas e executadas em Pau Preto e Sândalo, aumenta a exclusividade destas criações, e, naturalmente, o valor futuro do investimento.
As belíssimas obras de Nelson não só destacam o talento artístico de Moçambique, mas também salientam a necessidade do uso sustentável dos recursos naturais do país. O Pau Preto, madeira nobre e protegida pela Convenção CITES, exemplifica o equilíbrio delicado entre a arte e a conservação da biodiversidade. Apoiar a arte moçambicana por via da aquisição no mercado formal é, pois, uma forma de promover o respeito pelas prescrições da CITES, não só contribuindo para a sustentabilidade ambiental do país, como também para a preservação das espécies ameaçadas de extinção.
Investir nas esculturas de Nelson representa uma tripla vantagem: para além de se apoiar a arte local e a conservação ambiental, adquire-se uma peça de grande valor futuro, dada a sua exclusividade. Em cada edição limitada, como é o caso da "Sagrada Família", apenas dez dos muitos milhões de habitantes do planeta terão a oportunidade de possuir um exemplar dessa obra. Este facto reforça o carácter único das criações de Nelson, que constituem não só um tributo à herança cultural de Moçambique, mas também uma aposta segura num legado artístico duradouro e valioso.

