Apoio ao Cliente T: (+351) 271 753 105 | M: (+351) 922 215 699 (o custo das comunicações depende do tarifário acordado com cada operador de telecomunicações) | info@batikart.pt

Bailado das ninfas pretas

Título: Bailado das ninfas pretas

Dimensões: 93cm (L) x 65cm (A)

Técnica: Óleo sobre tela

Bailado das ninfas pretas” é uma pintura a óleo sobre tela da autoria do mestre Azymir, prestigiado artista plástico moçambicano, e afirma-se como uma das obras mais marcantes do seu percurso recente. Integrada na sua nova perspectiva inspiracional pós-expressionista, esta criação revela uma maturidade estética plena e uma liberdade formal que dialoga, com identidade própria, com a herança de grandes mestres dessa corrente.

A obra apresenta quatro jovens mulheres dançando, entregues ao movimento e ao ritmo numa expressão de liberdade absoluta. A nudez surge aqui despojada de qualquer intenção menos confessável: é natural, afirmativa, quase ritual. Os corpos, em harmonia entre si, constroem um bailado orgânico onde o gesto, a postura e a proximidade sugerem comunhão, celebração e pertença.

Azymir transforma a dança num acto simbólico, evocando forças ancestrais, espiritualidade e ligação à terra. As figuras parecem suspensas num espaço intemporal, onde o fundo, cuidadosamente trabalhado, envolve as dançarinas numa atmosfera quente e envolvente, reforçando a ideia de energia vital e de movimento contínuo. Cada corpo participa de um todo maior, numa coreografia que transcende o individual e se afirma como expressão colectiva.

Bailado das ninfas pretas” destaca-se não apenas pela excelência técnica, mas pela intensidade emocional e simbólica que projecta. É, simultaneamente, celebração do feminino, homenagem à liberdade do corpo e afirmação de uma estética africana contemporânea, consciente das suas raízes e aberta à experimentação.

Trata-se, sem dúvida, de uma das mais belas obras de Azymir e de uma das mais representativas desta nova abordagem artística, em que o pintor alcança um equilíbrio notável entre expressão, elegância e profundidade conceptual, consolidando o seu lugar como uma das vozes mais relevantes da pintura moçambicana actual.

O artista

Azymir, voz serena e luminosa da pintura moçambicana contemporânea, é um daqueles raros artistas plásticos cuja obra não se impõe pela extravagância, mas sim pela força tranquila de quem observa o mundo com atenção e o devolve na forma de poesia visual. Nascido na tribo Ronga em 1962 no Moçambique colonial, Azimir Chiluquete — que adoptou o nome artístico Azymir — desde cedo revelou a sua paixão pela pintura, e, enquanto discípulo do saudoso mestre Malangatana, construiu um percurso artístico sólido e profundamente singular, que, sem sombra de dúvidas, o remete para o plano dos criadores moçambicanos mais reconhecidos e respeitados de sempre.

Mestre nas técnicas de óleo e acrílico sobre tela, Azymir não procura apenas pintar: procura interpretar. O seu traço é contido mas seguro, sempre guiado por uma sensibilidade que ultrapassa a mera representação literal. Cada quadro é uma história contada em silêncio — um silêncio denso, cheio de significado, quase sempre ancorado na essência da vida da sociedade moçambicana.

Artista que vê para lá do visível, o olhar de Azymir capta nuances que muitos deixariam escapar. Interessam-lhe os pequenos rituais do quotidiano, como o trabalho na machamba, uma conversa interrompida pelo pôr do sol, o descanso depois da partilha, a cumplicidade familiar, os vínculos invisíveis que sustentam comunidades inteiras. São instantes aparentemente simples, mas que, nas suas mãos, ganham profundidade simbólica. Azymir parece recordar-nos que a verdadeira grandeza da vida reside nos gestos humildes, nos vínculos silenciosos, na dignidade que preenche os dias comuns.

Senhor de uma técnica, sensibilidade e harmonia raras, a execução pictórica de Azymir revela um domínio notável dos materiais e uma maturidade compositiva invulgar. O seu traço é disciplinado, firme, e conduz a narrativa visual com precisão, ao mesmo tempo que abre espaço para a emoção respirar. Nada nas suas telas é redundante. As figuras têm peso, presença e interioridade. O ambiente parece sempre pulsar uma energia discreta, quase espiritual. As composições são equilibradas, meditativas, construídas para que o espectador permaneça — para que observe com calma, como se estivesse perante um diálogo íntimo entre a tela e o tempo.

O mérito maior de Azymir é a sua capacidade de colocar a pessoa no centro da obra. Não idealiza, não romantiza, não dramatiza. Apenas revela — e essa revelação tem uma força particular. Nas suas telas há respeito, empatia e verdade. Há a consciência da luta, mas também da esperança. Há o peso do passado, mas também a leveza de um futuro possível. Há a memória do país e a visão de um artista que se sabe parte dele.

O percurso de Azymir — legado vivo já marcado pela maturidade — está em permanente evolução, demonstrando a sua obra a solidez de quem encontrou o seu caminho. Cada nova obra acrescenta mais uma camada a este universo estético coerente e profundamente humano, e é esta consistência — aliada à delicadeza do olhar e à honestidade do estilo — aquilo que faz de Azymir uma referência notável na pintura contemporânea moçambicana.

Azymir é, acima de tudo, um artista que nos ensina a olhar, a perceber o que existe para lá da superfície, e a encontrar beleza na profundidade, significado e verdade onde, as mais das vezes, ninguém pensa procurar.

As suas obras não são meramente para ver, são, essencialmente, para sentir...

 Conhecer:

O Artista

A Obra

Conhecer o Artista Conhecer a Obra
Digitalizar Clicar ou digitalizar